1. Introdução: O Fenômeno da Reconstrução Narrativa em Contextos de Crise Urbana
A narrativa humana não é um registro passivo de eventos cronológicos, mas uma construção ativa, um palimpsesto onde camadas de tempo, espaço e emoção se sobrepõem e se fundem. O relato objeto desta análise — um encontro fortuito durante uma inundação na Ladeira Porto Geral, em São Paulo, que desencadeia a fusão de identidades entre um ex-colega de classe silencioso e um transeunte pragmático — oferece um microcosmo rico para a exploração de três eixos fundamentais: a neuropsicologia da memória episódica, a sociologia da vida metropolitana e a geografia histórica urbana.
O indivíduo que recorda “nunca ter participado de conversas” com um colega, exceto no momento derradeiro da vida escolar para ouvir sobre uma “bolsa integral”, e que anos depois, em meio ao caos de uma enchente, recebe um conselho de sobrevivência material (“tirar o tênis como quem tira o chinelo”) de alguém que agora postula ser a mesma pessoa, está engajado em um complexo ato de meaning-making (criação de sentido). Este relatório, estruturado em uma extensão rigorosa para cobrir todas as nuances solicitadas, investiga a hipótese de que essa “fusão de identidades” não é apenas um possível erro de conjunção mnemônica, mas uma resposta adaptativa à fragmentação da vida moderna na metrópole.
Ao dissecarmos o evento, somos obrigados a transitar da hidrologia do Rio Tamanduateí, que molda o cenário físico da Ladeira Porto Geral, para a arquitetura neural do hipocampo, que molda a paisagem interna das lembranças. A presença da “amiga futura jornalista” no relato atua como um vetor de testemunho, uma âncora de realidade que contrasta com a fluidez da água e da memória. Ademais, o objeto central da angústia — o “tênis novo” — transcende sua materialidade para se tornar um símbolo de status e vulnerabilidade social, cujo risco de perda desencadeia a interação que ancora toda a reconstrução identitária subsequente.
2. O Palco Urbano: Geografia Histórica e Hidrologia da Ladeira Porto Geral
Para compreender a plausibilidade e o contexto do reencontro, é imperativo analisar o cenário onde ele ocorre: a Ladeira Porto Geral. A menção no relato a uma “alameda geral da ladeira porto geral” sugere uma contaminação toponímica na memória do narrador, fundindo possivelmente a “Ladeira Porto Geral” com alguma “Alameda” (como a Alameda Barão de Limeira ou Alameda Cleveland, comuns no centro expandido) ou simplesmente utilizando “alameda” em seu sentido poético de via de passagem.1 No entanto, a descrição física — a chuva, a enchente, a descida — aponta inequivocamente para a histórica via que conecta a parte alta do centro (São Bento) à várzea do Tamanduateí (25 de Março).
2.1. Do Porto Fluvial ao Comércio Popular: A Estratigrafia do Espaço
A Ladeira Porto Geral carrega em seu nome a memória funcional da cidade. Antes da retificação dos rios e da urbanização acelerada, o Rio Tamanduateí serpenteava a região com sete voltas, e o “Porto Geral” era o ponto de atracação onde mercadorias vindas de Santos desembarcavam para abastecer a cidade situada na colina.3 A transformação desse espaço reflete a evolução econômica de São Paulo: de entreposto colonial para o maior centro de comércio popular da América Latina.
A região da Rua 25 de Março, base da ladeira, era originalmente conhecida como “Rua de Baixo”. Sua renomeação para “25 de Março” em 1865 comemorou a primeira constituição brasileira, mas a geografia física do local permaneceu refém de sua hidrologia original.4 O relato do usuário, descrevendo uma enchente torrencial, alinha-se com a realidade histórica e contemporânea da área. Desde a grande enchente de janeiro de 1850, que destruiu dezenas de casas, até as inundações modernas causadas pela impermeabilização do solo, a região é um ponto crítico de drenagem.4
| Período Histórico | Denominação/Evento | Característica Hidrológica e Urbana |
| Século XIX (Início) | Porto Geral / Várzea do Carmo | Área de alagamento natural do Rio Tamanduateí; porto fluvial ativo. |
| 1850 | Enchente Histórica | Destruição massiva de habitações; início das discussões sobre retificação.4 |
| 1865 | Rua 25 de Março | Mudança de nome da “Rua de Baixo”; consolidação comercial inicial.3 |
| Século XX (Meados) | Retificação do Tamanduateí | Tentativa de controle das águas; urbanização vertical na parte alta. |
| Contemporaneidade | Centro Comercial Popular | Impermeabilização total; enchentes relâmpago (“flash floods”) frequentes. |
2.2. A Dinâmica das Enchentes e a Experiência Sensorial
A descrição do narrador — “tinha chovido muito como hoje”, “passar pela enchente”, “tênis enchendo de água” — evoca uma experiência sensorial de alta intensidade. A Ladeira Porto Geral funciona como um canal coletor natural para as águas que descem do Largo São Bento e da Rua Boa Vista. Quando o sistema de drenagem (bueiros e galerias) satura, a parte baixa da ladeira e a Rua 25 de Março tornam-se, temporariamente, uma extensão do rio que foi enterrado ou canalizado.
Estudos históricos sobre inundações urbanas, como as de Porto Alegre em 1941, mostram que tais eventos não apenas destroem infraestrutura, mas alteram a dinâmica social: “os barcos se tornaram o principal meio de transporte” e redes de solidariedade se formam instantaneamente.5 Em São Paulo, a enchente na Porto Geral cria uma suspensão momentânea da ordem social: executivos, vendedores ambulantes e estudantes (como o narrador e sua amiga futura jornalista) veem-se nivelados pela vulnerabilidade diante da água.
A confusão mnemônica entre “Alameda” e “Ladeira” pode ser explicada pela teoria da reconstrução do passado.6 O termo “Alameda” sugere um passeio arborizado, tranquilo, algo que a Ladeira Porto Geral definitivamente não é durante uma chuva. Talvez a memória tente suavizar a hostilidade do ambiente urbano ou, alternativamente, o narrador funda a localização com outra área geográfica da cidade onde “Alamedas” são comuns. Contudo, a materialidade do evento (a ladeira íngreme, a água descendo) fixa a cena inequivocamente na encosta do centro histórico.
3. A Psicologia Cognitiva da Memória e a Construção da Identidade
A premissa central do relato é a postulação de que a pessoa da “bolsa integral” e a pessoa do “tênis na enchente” são a mesma. Para analisar a validade e os mecanismos dessa afirmação, devemos recorrer à psicologia cognitiva e às teorias da memória episódica.
3.1. Memória Episódica e o Erro de Conjunção
A memória episódica é o sistema responsável pelo armazenamento e recuperação de eventos pessoalmente vivenciados, situados em um tempo e lugar específicos.7 O narrador possui dois fragmentos episódicos claros:
- Episódio A (Escola): Último dia de aula, sala de aula, colega silencioso, anúncio da bolsa integral.
- Episódio B (Ladeira/Enchente): Chuva forte, encontro com amiga jornalista, tênis molhado, estranho dando conselho prático.
A fusão desses dois episódios em uma única narrativa de identidade pode ser um caso clássico de erro de conjunção de memória (memory conjunction error). Pesquisas indicam que falhas na memória podem levar a combinações de características de diferentes eventos ou pessoas, especialmente quando há falhas no “monitoramento de fonte” (source monitoring).8 O cérebro, ao tentar recuperar a identidade do “conselheiro da chuva”, pode ter acessado a representação mental do “colega inteligente” devido a uma similaridade percebida (fisionomia, voz) ou uma necessidade psicológica de coerência.
O conceito de “reconhecimento tardio” é crucial aqui. O narrador afirma: “hoje voltou postular que essa pessoa… eram a mesma”. Isso sugere que a conexão não foi feita no momento da enchente, mas em uma reflexão posterior (“passei e analisei durante a vida”). A memória não é um arquivo estático; é reconstrutiva. Como aponta Halbwachs, reconstruímos o passado com a ajuda de dados do presente.6 O presente do narrador, talvez buscando sentido na trajetória de vida (sua e dos outros), funde as figuras.
3.2. A Fusão de Identidades como Mecanismo de Coerência
A literatura sobre “fusão de identidades” geralmente se refere à união visceral de uma pessoa com um grupo 10, mas aqui aplicamos o termo à fusão de duas personas distintas em uma única entidade na mente do observador. Por que o cérebro faria isso?
Existe uma dissonância cognitiva no relato:
- Persona 1 (O Acadêmico): Silencioso, focado, ganha bolsa integral (mérito intelectual abstrato).
- Persona 2 (O Pragmático): Ativo, comunicativo na crise, dá conselho sobre o tênis (inteligência prática concreta).
Ao fundir as duas, o narrador cria um “super-sujeito”: alguém que domina tanto a teoria (escola) quanto a prática (rua). Essa figura torna-se mítica na memória pessoal. A “inteligência prática”, definida por Sternberg como a capacidade de aplicar conhecimento em situações cotidianas para adaptação 11, é o elo perdido que o narrador projeta no ex-colega silencioso. O narrador parece admirar que a pessoa que “venceu” o sistema escolar também saiba “vencer” a enchente.
A presença da “amiga futura jornalista” adiciona uma camada de validação. Jornalistas são, por definição, observadores e registradores da realidade. A menção a ela (“sic”) sugere que o narrador valoriza a presença de uma testemunha ocular qualificada, alguém que busca a verdade factual. No entanto, a memória é traiçoeira; mesmo com uma testemunha, a interpretação subjetiva (quem era aquela pessoa?) permanece domínio do narrador.
4. Sociologia da Metrópole: O Estranho, o Encontro e a Solidariedade
Georg Simmel, em sua obra seminal “A Metrópole e a Vida Mental”, descreve como o habitante da cidade grande desenvolve uma atitude blasé — uma reserva e indiferença — para se proteger do excesso de estímulos nervosos.13 O colega de classe que “nunca participou de conversas” é o arquétipo desse indivíduo metropolitano reservado. Ele preserva sua energia mental para o objetivo acadêmico (a bolsa), recusando-se a dissipar sua personalidade em interações sociais triviais no intervalo.
4.1. A Ruptura da Reserva Metropolitana
Contudo, a enchente na Ladeira Porto Geral atua como um evento de ruptura. Desastres, mesmo que momentâneos e localizados, quebram a atitude blasé. A necessidade de sobrevivência ou a urgência da situação forçam a interação. O “estranho” (que pode ser o colega) quebra o silêncio não para socializar, mas para instruir.
O conselho “se eu fosse você, teria tirado como quem tira o chinelo” é uma manifestação de solidariedade urbana, mas também de hierarquia de conhecimento. Aquele que fala demonstra domínio sobre o caos. Na sociologia de Simmel, a vida urbana é uma luta entre a objetividade da cultura (técnica, objetos) e a subjetividade do indivíduo.14 A enchente ameaça a subjetividade e a integridade física (e material, do tênis). O conselho restaura uma forma de ordem técnica: há um modo correto de lidar com a enchente.
4.2. O Simbolismo do “Tênis Novo” na Periferia e no Centro
A ênfase dada ao “tênis novo” (“esse tênis novo! molhou tudo!”) não é trivial. Na sociologia urbana brasileira, especialmente em estudos sobre juventude e periferia, o tênis de marca (ou novo) é um marcador fundamental de identidade e inclusão social.15 “Estar de tênis novo” é estar vestido para o passeio, é sinal de dignidade e pertencimento.
A chuva que molha o tênis é uma violação dessa dignidade. Representa a infraestrutura falha da cidade agredindo o esforço individual de ascensão ou manutenção de status. O conselho do estranho, portanto, toca em uma ferida sensível: ele valida a preocupação com o objeto (“teria tirado”), mas propõe uma solução radical (andar descalço ou como se estivesse de chinelo) que prioriza a integridade do objeto ou a facilidade de locomoção em detrimento da proteção sanitária.
5. O Cenário Educacional: A “Bolsa Integral” e a Geografia do Saber
A menção à “bolsa de desconto integral” no último dia de aula situa os personagens em um ecossistema educacional específico. O centro de São Paulo e suas imediações são densamente povoados por instituições que utilizam o sistema de bolsas por mérito como ferramenta de captação de alunos de alto desempenho.
5.1. Mapeamento das Instituições Possíveis
Considerando a localização do encontro (Porto Geral) e o perfil do aluno (focado, silencioso, bolsista), podemos inferir a presença de instituições chave na região que alimentam esse fluxo de estudantes:
- Cursinho da Poli: Com unidades próximas e foco em inserção social e excelência (visitas ao centro histórico, foco em vestibulares concorridos como USP), é um candidato provável para alunos que buscam ascensão via educação.17
- Colégio de São Bento: Situado no topo da ladeira (Largo São Bento), é uma instituição de elite, mas que historicamente oferece bolsas sociais ou por mérito, representando o ápice do ensino tradicional na área.18
- Grandes Redes (Etapa, Objetivo, Poliedro, Anglo): Estas instituições, com unidades na região central ou Av. Paulista (acessível via metrô São Bento/Sé), são famosas por seus “Concursos de Bolsas” agressivos, onde o desempenho em uma prova pode garantir 100% de desconto.19
- Cursinhos Populares (Arcadas/SanFran): Localizado no Largo São Francisco (próximo à Sé e Porto Geral), o Cursinho Arcadas atende estudantes de baixa renda, onde a “bolsa” (ou gratuidade) é a norma e o mérito é a entrada.23
O anúncio da bolsa no “último dia” sugere uma aprovação em um desses concursos para um ciclo seguinte (pré-vestibular ou faculdade). A frase “ganhei uma bolsa” é um grito de vitória do aluno silencioso, uma legitimação de seu isolamento anterior. Ele não falava porque estava estudando; o prêmio é a bolsa.
| Tipo de Instituição | Localização Relativa à Porto Geral | Perfil do “Bolsista” |
| Tradicional Religiosa (São Bento) | Topo da Ladeira (Largo S. Bento) | Disciplina rígida, tradição, excelência humanística. |
| Cursinho de Massa (Etapa/Objetivo) | Centro/Paulista (acesso fácil) | Foco total em resultados, alta competitividade, “máquina de aprovação”. |
| Cursinho Popular (Arcadas/Henfil) | Centro Histórico (Sé/República) | Resiliência, consciência social, luta por espaço na universidade pública.24 |
6. Riscos Biológicos e a “Inteligência Prática”: O Paradoxo do Conselho
O ponto de tensão máxima no relato reside no conselho dado: “se eu fosse você, teria tirado como quem tira o chinelo”. Sob a ótica da Inteligência Prática de Sternberg 11, o conselho é brilhante: preserva o “tênis novo” (o bem material valioso) da destruição pela água suja. Mostra adaptação ao contexto: “faça como quem usa chinelo”, ou seja, assuma que o pé vai molhar, mas salve o calçado.
No entanto, sob a ótica da Saúde Pública e da Inteligência Acadêmica/Científica, o conselho é temerário.
6.1. O Vetor da Leptospirose
As enchentes em áreas urbanas como o centro de São Paulo e Porto Alegre 5 são misturas tóxicas de água pluvial, esgoto doméstico e lixo. O risco predominante é a Leptospirose, uma doença infecciosa aguda transmitida pela exposição à urina de animais (principalmente ratos) infectados pela bactéria Leptospira.25
- Mecanismo de Transmissão: A bactéria penetra ativamente através da pele lesada ou mesmo íntegra se imersa por longo tempo (pele macerada pela água).25
- O Erro do Conselho: Tirar o tênis e caminhar descalço ou com o pé exposto aumenta exponencialmente a superfície de contato com a água contaminada e a probabilidade de cortes (vidros, metais no fundo da enchente), criando portas de entrada diretas para a bactéria.
- Sintomas e Letalidade: Febre, dores musculares (panturrilhas), icterícia e, em casos graves (Síndrome de Weil), insuficiência renal e hemorragia. A letalidade pode chegar a 40% nos casos graves.25
Aqui reside a ironia trágica da fusão de identidades: o narrador funde o “gênio da bolsa integral” (símbolo de conhecimento superior) com alguém que dá um conselho epidemiologicamente perigoso. Se são a mesma pessoa, isso demonstra que a inteligência acadêmica (passar na prova) não se traduz necessariamente em inteligência de sobrevivência biológica, ou que a prioridade de valores do indivíduo é material (salvar o tênis) e não sanitária.
Ou, alternativamente, o conselho “como quem tira o chinelo” poderia ser metafórico: não andar descalço, mas desapegar da sensação de estar calçado, aceitar a água sem lutar contra ela, mas mantendo a proteção. A ambiguidade da frase (“como quem tira”) permite múltiplas interpretações.
7. Análise Narrativa: A Amiga Jornalista e o Papel do Testemunho
A figura da “amiga, futura jornalista (sic)” é essencial para a estrutura de veracidade do relato. O uso do “(sic)” pelo narrador (ou na transcrição do relato) pode indicar uma ironia sobre o destino profissional dela ou uma ênfase na vocação. Jornalistas são profissionais da memória coletiva. Eles documentam o presente para que se torne história.
No momento da enchente, o narrador estava “indo encontrar” essa amiga. Ela é o objetivo, o destino que forçou a travessia da ladeira alagada. Ela representa, talvez, a busca pela verdade ou pela narrativa clara. Enquanto o narrador vive a confusão mnemônica e a mistura de identidades, a “futura jornalista” representa a promessa de clareza factual — uma promessa que, ironicamente, é frustrada pela própria natureza subjetiva da memória do narrador, que acaba por decidir sozinho a identidade do estranho.
Além disso, jornalistas frequentemente cobrem enchentes. A amiga futura jornalista poderia, em outro tempo, estar ali para reportar o caos, não para ser vítima dele. Essa inversão de papéis reforça a vulnerabilidade imposta pela natureza na cidade.
8. Conclusão: A Síntese do Sujeito Urbano
A postulação de que a “pessoa da bolsa” e a “pessoa do tênis” são a mesma entidade é um ato de criação literária e psicológica por parte do narrador. Ao fundir essas figuras, ele resolve conflitos internos sobre o valor do conhecimento e a brutalidade da vida prática.
- Validação do Silêncio: O silêncio do colega na escola é revalidado não como arrogância, mas como preparação.
- Validação da Prática: A conquista acadêmica (bolsa) é “aterrada” pela capacidade de lidar com a lama real da Ladeira Porto Geral.
- Mitigação do Trauma: O trauma de arruinar o “tênis novo” e o medo da enchente são suavizados pela intervenção de uma figura conhecida (ou imaginada como tal). É menos assustador receber conselhos de um velho colega do que de um estranho anônimo.
O relato, portanto, não é apenas sobre uma coincidência improvável. É sobre como habitamos a cidade: com nossos corpos vulneráveis a bactérias e enchentes, com nossos bens materiais (tênis) carregados de significado, e com nossas mentes tecendo incessantemente fios entre o passado escolar e o presente caótico para dar sentido à experiência de viver na metrópole. A “Alameda Geral” pode não existir nos mapas oficiais, mas existe na geografia afetiva do narrador como o local onde o conhecimento acadêmico e a sabedoria de rua colidiram sob a chuva.
As evidências sugerem que a fusão é um fenômeno de reconstrução mnemônica 6, catalisada pelo estresse e pela necessidade de coerência. O risco de leptospirose 25 ignorado no conselho prático serve como um lembrete de que, na luta pela sobrevivência urbana e material, a segurança biológica muitas vezes é negligenciada, uma falha que nem mesmo uma “bolsa integral” garante evitar.
Tabela Comparativa de Inteligências e Riscos no Relato
| Dimensão | O Colega da Escola (Memória A) | O Estranho da Enchente (Memória B) | Síntese / Fusão Identitária |
| Atitude Social | Isolamento, Silêncio, Foco. | Interação, Conselho, Praticidade. | Sujeito completo: teórico e prático. |
| Conquista | Bolsa Integral (Abstrato/Futuro). | Salvar o Tênis (Concreto/Presente). | Sucesso em múltiplos domínios. |
| Tipo de Inteligência | Acadêmica (Analítica).11 | Prática (Contextual).12 | Sabedoria Adaptativa (Postulada). |
| Risco Envolvido | Burnout, Isolamento Social. | Leptospirose, Ferimentos.25 | Sobrevivência a qualquer custo. |
| Localização | Sala de Aula (Ambiente Controlado). | Ladeira Porto Geral (Caos Urbano). | A Cidade como Escola. |
Referências citadas
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- Ata Sessão Ordinária nº 16/2025 – PROCESSO LEGISLATIVO, acessado em fevereiro 3, 2026, https://cmviana.splonline.com.br/Arquivo/Documents/SES/895/sessao_895_202506231154506629206XUKIG.pdf?identificador=30003A005300
- Rua 25 de Março – Memória das ruas de São Paulo, acessado em fevereiro 3, 2026, http://www.estacoesferroviarias.com.br/avenidas/numeros/25marco.htm
- História da Rua 25 de Março: um pedaço do mundo em São Paulo – ANTP, acessado em fevereiro 3, 2026, https://antp.org.br/noticias/clippings/historia-da-rua-25-de-marco-um-pedaco-do-mundo-em-sao-paulo.html
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- Cidade Universitária – Cursinhos pre-vestibular – Etec Cepam, acessado em fevereiro 3, 2026, https://www.gestaopublica.etc.br/informa/cursinhosprevestibular
- Leptospirose: cuidados após enchente – Instituto Oswaldo Cruz, acessado em fevereiro 3, 2026, https://www.ioc.fiocruz.br/noticias/leptospirose-cuidados-apos-enchente
- Chuvas fortes aumentam risco de contaminação por leptospirose | Prefeitura de Porto Alegre, acessado em fevereiro 3, 2026, https://prefeitura.poa.br/sms/noticias/chuvas-fortes-aumentam-risco-de-contaminacao-por-leptospirose